segunda-feira, 11 de junho de 2012

De luto pela perda de Ivan Lessa, um de meus cronistas preferidos. Quem não conhece, corra atrás, pois vale muito a pena. Quem gosta das ironias encontradas ao assistir um episódio de House, "gaste" um pouquinho mais de cuca e leia um livro do Ivan. Não irá se arrepender. 
Nesse momento, abro ao acaso uma página de Ivan Vê o Mundo e vejam a descrição de sua experiência ao montar um aparelho de som:
"Vou tentar resumir meu ingresso no clube nuclear, digo, agremiação compacta: às duas e meia, comecei a abrir caixas e folhetos de instrução; às sete horas, quando minha mulher chegou em casa, lá estava eu - suado, sujo, sem sorriso de vitória nos lábios, sem o ríctus da derrota no rosto, apenas a perplexidade do botocudo diante do Caramuru, digamos assim. Oquei, vá lá que seja, exagero, estou entre amigos. Mas o negócio estava e não estava funcionando. A bandeja que recebe o CD se ensimesmara e não havia jeito de comparecer, a um toque mágico de meus dedos calejados. A fiação lembrava vagamente o pior espaguete à bolonhesa servido em Serra Pelada e minha vista não mais conseguia distinguir um equalizador gráfico do rifle telescópico que matou Kennedy."

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