Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
Giancarlo Guerrero regente
Brasil Guitar Duo
PROGRAMA
Gioacchino ROSSINI
Guilherme Tell: Abertura
Paulo BELLINATI
Concerto para Dois Violões e Orquestra (estreia mundial)
Ottorino RESPIGHI
As Fontes de Roma
Belkis, A Rainha de Sabá: Suíte
Desta vez um regente convidado, o italiano Giancarlo Guerrero. Super carismático e performático, o cara foi um show à parte. Em partes cadenciadas de percussão, simulava passos gigantescos e fazia caretas, como se fosse um daqueles monstros de seriado japonês. Em outras horas, ficava parado e regia os instrumentistas apenas usando as sobrancelhas. Genial! Paquerava descaradamente as musicistas, ao mesmo tempo que demonstrava trejeitos nitidamente homossexuais (sem preconceito). Uma figura! Detalhes perceptíveis pra quem está no camarote 12.
A primeira peça foi a Abertura de Guilherme Tell, de Gioacchino Rossini, que todo mundo conhece. Se você acha que não conhece, a simples audição de um acorde traria lembranças de uma infância assistindo desenhos do Andy Panda, do Pica-Pau ou do Mickey (sim, crescemos ouvindo música clássica!!). O que é essa música ao vivo? Foi uma audição sensacional. De fazer metaleiro "bangear".
Sempre que ouço este tipo de peça executada pela Osesp, ou quando vejo (e ouço) a Jazz Sinfônica tocando qualquer coisa com arranjos do Cyro Pereira, penso em uma época em que todo estúdio de cinema ou qualquer rádio, ou qualquer rede de TV tinha sua própria orquestra. Certamente uma época muito mais rica musicalmente do que a que vivemos agora.
Devaneios à parte, voltemos ao concerto: a segunda peça foi um concerto do Paulo Bellinati para dois violões e orquestra. Acompanho o trabalho do Bellinati desde a época que arrisquei uns trinados no violão (ou seja, há mais de quinze anos). Depois disso, ouvi diversas músicas dele executadas por ases do instrumento, ouvi seus trabalhos na banda Pau Brasil (recomendação máxima) e acompanhei algumas parcerias (Mônica Salmaso nos afro-sambas e Weber Lopes). As peças que ele compôs para dois violões e orquestra são muito boas, mas a execução não ficou legal. A necessidade de microfonar os violões do Brasil Guitar Duo deixou o som dos instrumentos menos "orgânico" quando comparado aos instrumentos da orquestra, sem falar em um pequeno delay na chegada do som (dos violões) aos nossos ouvidos. Provavelmente um problema exacerbado pra quem está no camarote 12 (vantagens e desvantagens, certo?). Não tirou o brilho da estréia, mas ficou aquém de qualquer execução da orquestra.
Pra encerrar, duas peças de Ottorino Respighi. Esse sinceramente eu não conhecia. A primeira peça não trouxe nada de muito interessante. Sem falar na proliferação de instrumentos no palco: piano, cravo, duas harpas e metalofone, muitas vezes desempenhando tarefas que poderiam ser feitas por violinos em pizzicato.
Já a segunda peça foi bem interessante. Bem "bélica", se é que podemos aplicar esse adjetivo à música. Em alguns momentos me lembrou a trilha do filme Conan, o Destruidor (Basil Poledouris).
Fica a dúvida se o Rossini não deveria encerrar a noite, ao invés de abri-la. Acho que iríamos todos mais impressionados para casa.
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